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		<title>VALORES</title>
		<link>http://valores.blog.terra.com.br</link>
		<description>Por meio de historias , cronicas e atualidades ...refletir os valores, t&#227;o esquecidos hoje em dia... al&#233;m de tambem compartilhar minhas leituras, imagens, fotografias, e atividades relativas ao terceiro setor.</description>
		<language>pt-BR</language>
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		<category>Política</category>
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			<title>PE&#199;O DESCULPAS</title>
			<link>http://valores.blog.terra.com.br/peco_desculpas</link>
			<pubDate>25.10.08</pubDate>
			
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PE&#199;O DESCULPAS Estou gravemente enfermo. Gostaria de manifestar publicamente minhas escusas a todos que confiaram cegamente em mim. Acreditaram em meu suposto poder de multiplicar fortunas. Depositaram em minhas m&#227;os o fruto de anos de trabalho, de economias familiares, o capital de seus empreendimentos. Pe&#231;o desculpas a quem assiste &#224;s suas economias evaporarem pelas chamin&#233;s virtuais das Bolsas de Valores, bem como &#224;queles que se encontram asfixiados pela inadimpl&#234;ncia, os juros altos, a escassez de cr&#233;dito, a proximidade da recess&#227;o. Sei que nas &#250;ltimas d&#233;cadas extrapolei meus pr&#243;prios limites. Arvorei-me em rei Midas, criei em torno de mim uma legi&#227;o de devotos, como se eu tivesse poderes divinos. Meus ap&#243;stolos - os economistas neoliberais - sa&#237;ram pelo mundo a apregoar que a sa&#250;de financeira dos pa&#237;ses estaria tanto melhor quanto mais eles se ajoelhassem a meus p&#233;s. Fiz governos e opini&#227;o p&#250;blica acreditarem que o meu &#234;xito seria proporcional &#224; minha liberdade. Desatei-me das amarras da produ&#231;&#227;o e do Estado, das leis e da moralidade. Reduzi todos os valores ao cassino global das Bolsas, transformei o cr&#233;dito em produto de consumo, convenci parcela significativa da humanidade de que eu seria capaz de operar o milagre de fazer brotar dinheiro do pr&#243;prio dinheiro, sem o lastro de bens e servi&#231;os. Abracei a f&#233; de que, frente &#224;s turbul&#234;ncias, eu seria capaz de me auto-regular, como ocorria &#224; natureza antes de ter seu equil&#237;brio afetado pela a&#231;&#227;o predat&#243;ria da chamada civiliza&#231;&#227;o. Tornei-me onipotente, supus-me onisciente, impus-me ao planeta como onipresente. Globalizei-me. Passei a jamais fechar os olhos. Se a Bolsa de T&#243;quio silenciava &#224; noite, l&#225; estava eu euf&#243;rico na de S&#227;o Paulo; se a de Nova York encerrava em baixa, eu me recompensava com a alta de Londres. Meu preg&#227;o em Wall Street fez de sua abertura uma liturgia televisionada para todo o orbe terrestre. Transformei-me na cornuc&#243;pia de cuja boca muitos acreditavam que haveria sempre de jorrar riqueza f&#225;cil, imediata, abundante. Pe&#231;o desculpas por ter enganado a tantos em t&#227;o pouco tempo; em especial aos economistas que muito se esfor&#231;aram para tentar imunizar-me das influ&#234;ncias do Estado. Sei que, agora, suas teorias derretem como suas a&#231;&#245;es, e o estado de depress&#227;o em que vivem se compara ao dos bancos e das grandes empresas. Pe&#231;o desculpas por induzir multid&#245;es a acolher, como santificadas, as palavras de meu sumo pont&#237;fice Alan Greenspan, que ocupou a s&#233; financeira durante dezenove anos. Admito ter ele incorrido no pecado mortal de manter os juros baixos, inferiores ao &#237;ndice da infla&#231;&#227;o, por longo per&#237;odo. Assim, estimulou milh&#245;es de usamericanos &#224; busca de realizarem o sonho da casa pr&#243;pria. Obtiveram cr&#233;ditos, compraram im&#243;veis e, devido ao aumento da demanda, elevei os pre&#231;os e pressionei a infla&#231;&#227;o. Para cont&#234;-la, o governo subiu os juros... e a inadimpl&#234;ncia se multiplicou como uma peste, minando a suposta solidez do sistema banc&#225;rio. Sofri um colapso. Os paradigmas que me sustentavam foram engolidos pela imprevisibilidade do buraco negro da falta de cr&#233;dito. A fonte secou. Com as sand&#225;lias da humildade nos p&#233;s, rogo ao Estado que me proteja de uma morte vergonhosa. N&#227;o posso suportar a id&#233;ia de que eu, e n&#227;o uma revolu&#231;&#227;o de esquerda, sou o &#250;nico respons&#225;vel pela progressiva estatiza&#231;&#227;o do sistema financeiro. N&#227;o posso imaginar-me tutelado pelos governos, como nos pa&#237;ses socialistas. Logo agora que os Bancos Centrais, uma institui&#231;&#227;o p&#250;blica, ganhavam autonomia em rela&#231;&#227;o aos governos que os criaram e tomavam assento na ceia de meus cardeais, o que vejo? Desmorona toda a cantilena de que fora de mim n&#227;o h&#225; salva&#231;&#227;o. Pe&#231;o desculpas antecipadas pela quebradeira que se desencadear&#225; neste mundo globalizado. Adeus ao cr&#233;dito consignado! Os juros subir&#227;o na propor&#231;&#227;o da inseguran&#231;a generalizada. Fechadas as torneiras do cr&#233;dito, o consumidor se armar&#225; de cautelas e as empresas padecer&#227;o a sede de capital; obrigadas a reduzir a produ&#231;&#227;o, far&#227;o o mesmo com o n&#250;mero de trabalhadores. Pa&#237;ses exportadores, como o Brasil, ver&#227;o menos clientes do outro lado do balc&#227;o; portanto, trar&#227;o menos dinheiro para dentro de seu caixa e precisar&#227;o repensar suas pol&#237;ticas econ&#244;micas. Pe&#231;o desculpas aos contribuintes dos pa&#237;ses ricos que v&#234;em seus impostos servirem de b&#243;ia de salvamento de bancos e financeiras, fortuna que deveria ser aplicada em direitos sociais, preserva&#231;&#227;o ambiental e cultura. Eu, o mercado, pe&#231;o desculpas por haver cometido tantos pecados e, agora, transferir a voc&#234;s o &#244;nus da penit&#234;ncia. Sei que sou c&#237;nico, perverso, ganancioso. S&#243; me resta suplicar para que o Estado tenha piedade de mim. N&#227;o ouso pedir perd&#227;o a Deus, cujo lugar almejei ocupar. Suponho que, a esta hora, Ele me olha l&#225; de cima com aquele mesmo sorriso ir&#244;nico com que presenciou a derrocada da torre de Babel.
&#160;Frei Betto </description>
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			<title>10 PERGUNTAS SOBRE A CRISE</title>
			<link>http://valores.blog.terra.com.br/10_perguntas_sobre_a_crise</link>
			<pubDate>18.10.08</pubDate>
			
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10 perguntas sobre a crise 1. Subprimes? O ponto de partida &#233; uma verdadeira estafa que os bancos ocidentais ganharam uma enorme quantidade de dinheiro &#224;s custas dos estadunidenses, declarando que se n&#227;o eram capazes de pagar, ficariam sem suas casas. 2. &#201; somente uma crise banc&#225;ria? N&#227;o, em absoluto. Trata-se de uma verdadeira crise econ&#244;mica que come&#231;ou no setor banc&#225;rio, mas suas causas s&#227;o muito mais profundas. Na realidade, toda a economia dos Estados Unidos vive a cr&#233;dito h&#225; 30 anos. As empresas se endividam acima de suas possibilidades, o Estado se endivida tamb&#233;m acima de suas possibilidades (para fazer a guerra) e os cidad&#227;os s&#227;o levados tamb&#233;m a endividar-se; &#233; a &#250;nica maneira de manter, artificialmente, um crescimento econ&#244;mico. 3. A verdadeira causa? Os meios de comunica&#231;&#227;o tradicionais n&#227;o nos dizem nada. No entanto, as subprimes n&#227;o s&#227;o nada mais do que a ponto do iceberg, a manifesta&#231;&#227;o mais espetacular de uma crise de superprodu&#231;&#227;o que golpeia os Estados Unidos, mas tamb&#233;m os pa&#237;ses ocidentais. Se o objetivo final de uma multinacional consiste em despedir os trabalhadores em massa para fazer o menos trabalho com menos pessoas, se tamb&#233;m diminuem os sal&#225;rios por todos os meios e com a ajuda dos governos c&#250;mplices. A quem os capitalistas v&#227;o vender suas mercadorias, se n&#227;o param de empobrecer seus clientes?! 4 &#201; somente uma crise que ser&#225; superada? A hist&#243;ria demonstra que o capitalismo tem iso sempre de uma crise a outra com uma boa guerra de vez em quando para sair da crise (eliminando seus rivais, empresas, infra-estruturas, o que permite um bom reembolso econ&#244;mico). Na realidade, as crises s&#227;o tamb&#233;m um per&#237;odo que aproveitam os grandes para eliminar ou absorver os mais d&#233;beis. &#201; o que acontece agora com o setor banc&#225;rio estadunidense, ou o caso do BNP que tragou a Fortis (e tudo isso apenas come&#231;ou). Por&#233;m, se a crise refor&#231;a a concentra&#231;&#227;o de capital em m&#227;os de um n&#250;mero ainda menor de multinacionais, qual ser&#225; a conseq&#252;&#234;ncia? Esses supergrupos ter&#227;o ainda mais meios para eliminar ou empobrecer a m&#227;o de obra e, assim, converter-se em uma competi&#231;&#227;o ainda mais forte. 5. Um capitalismo sobre bases &#233;ticas? H&#225; 150 anos que nos prometem isso. At&#233; Bush e Sarkozy o fizeram. Por&#233;m, na realidade, &#233; t&#227;o imposs&#237;vel quanto existir um tigre vegetariano. Pois o capitalismo se ap&#243;ia em tr&#234;s princ&#237;pios: 1. A propriedade privada dos grandes meios de produ&#231;&#227;o e de financiamento. N&#227;o somos n&#243;s que decidimos, mas as multinacionais. 2. A competitividade: ganhar a guerra econ&#244;mica, isto &#233;, eliminar a concorr&#234;ncia. 3. O m&#225;ximo benef&#237;cio para ganhar essa batalha n&#227;o basta ter uns benef&#237;cios normais ou razo&#225;veis, mas uma taxa de benef&#237;cios que permita distanciar as empresas da concorr&#234;ncia. O capitalismo &#233; a lei da selva, como escrevia Karl Marx: &#34;O capital fica horrorizado com a aus&#234;ncia de benef&#237;cio. Quando sente um benef&#237;cio razo&#225;vel, se orgulha. Com 20% se entusiasma. Com 50% &#233; temer&#225;rio. Com 100% arrasa todas as leis humanas e com 300% n&#227;o se det&#233;m diante de nenhum crime&#34;. 6. Salvar os bancos? Claro! T&#234;m que proteger os clientes dos bancos. Por&#233;m, na realidade, o que o Estado est&#225; fazendo &#233; proteger os ricos e nacionalizar as perdas. Por exemplo: o Estado belga n&#227;o tinha 100 milh&#245;es de euros para ajudar as pessoas a manter seu poder aquisitivo; por&#233;m para salvar os bancos encontrou 5 bilh&#245;es em duas horas. Muito dinheiro que teremos que reembolsar. O ir&#244;nico &#233; que Dexia era um Banco P&#250;blico e que Fortis incorporou um banco p&#250;blico que funcionava muito bem. Gra&#231;as a isso, seus dirigentes t&#234;m feito menos neg&#243;cios durante vinte anos. E agora que a coisa n&#227;o funciona, pedem a esses dirigentes que paguem os pratos quebrados com o dinheiro que estiveram gastando e que guardaram? N&#227;o, pedem que n&#243;s paguemos essa conta. 7. Os meios de comunica&#231;&#227;o? Longe de explicar-nos tudo isso, fixam sua aten&#231;&#227;o em assuntos secund&#225;rios. Nos dizem que ter&#227;o que buscar os erros, os respons&#225;veis, combater os excessos e bl&#225;, bl&#225;, bl&#225;. No entanto, n&#227;o se trata de tal ou qual erro, mas do sistema. Essa crise era inevit&#225;vel. As empresas que est&#227;o quebrando s&#227;o as mais d&#233;beis ou as que pior sorte t&#234;m tido. As que sobrevivam ter&#227;o ainda mais poder sobre a economia e sobre nossas vidas. 8. O neoliberalismo? A crise n&#227;o foi provocada, mas acelerada pela moda neoliberal dos &#250;ltimos vinte anos. Os pa&#237;ses ricos t&#234;m tentado impor esse neoliberalismo em todo o terceiro mundo. Na Am&#233;rica Latina, como acabo de estudar durante a prepara&#231;&#227;o de meu livro &#8216;Os 7 pecados de Hugo Ch&#225;vez&#8217; o neoliberalismo tem levado a milh&#245;es de pessoas &#224; mis&#233;ria. Por&#233;m, o homem que lan&#231;ou o sinal de resist&#234;ncia, o homem que demonstrou que se podia resistir ao Banco Mundial, ao FMI e &#224;s multinacionais, o homem que ensinou que t&#237;nhamos que dar as costas ao neoliberalismo para reduzir a pobreza, esse homem, Hugo Ch&#225;vez, n&#227;o deixa de ser demonizado a golpe de mentira midi&#225;tica e de difama&#231;&#227;o infundada. Por qu&#234;? 9. O terceiro mundo? Somente nos falam das conseq&#252;&#234;ncias da crise no Norte. Na realidade, todo o terceiro mundo sofrer&#225; gravemente por conta da recess&#227;o econ&#244;mica e pela baixa de pre&#231;os das mat&#233;rias primas, provocada pela crise. 10. A alternativa? Em 1989, um famoso estadunidense, Francis Fukuyama, nos anunciava o Fim da Hist&#243;ria: o capitalismo n&#227;o triunfaria para sempre, nos dizia. N&#227;o fez falta muito tempo para que os vencedores caiam. A humanidade necessita verdadeiramente outro tipo de sociedade. O sistema atual fabrica milhares de milh&#245;es de pobres, afunda na angustia aqueles que (provisoriamente) t&#234;m a sorte de trabalhar, multiplica as guerras e arru&#237;na os recursos do planeta. Pretender que a humanidade est&#225; condenada a viver sob a lei da selva &#233; considerar-nos imbecis. Como deveria ser uma sociedade mais humana, que ofere&#231;a um futuro digno para todos? Esse &#233; o debate que temos a obriga&#231;&#227;o de lan&#231;ar. Sem tabus. 
Michel Collon * www.michelcollon.info</description>
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			<title>ANALISE DE RETORNO FINANCEIRO</title>
			<link>http://valores.blog.terra.com.br/analise_de_retorno_financeiro</link>
			<pubDate>14.10.08</pubDate>
			
			<description>
An&#225;lise de Retorno Financeiro Para refletir !!!!!!!!!! Veja... Se voc&#234; tivesse comprado, em janeiro/2005, R$ 1000,00 em a&#231;&#245;es da Nortel Networks , um dos gigantes da &#225;rea de telecomunica&#231;&#245;es, hoje Teria R$ 59,00! Se voc&#234; tivesse comprado, em janeiro/2005, R$ 1000,00 em a&#231;&#245;es da Lucent Technologys , outro gigante da &#225;rea de telecomunica&#231;&#245;es, hoje teria R$ 79,00! Agora, se voc&#234; tivesse, em janeiro/2006, gasto R$ 1.000 ,00 em Skol (entenda em Cerveja, n&#227;o em a&#231;&#245;es), tivesse bebido tudo e vendido somente as latinhas vazias, hoje teria R$ 80,00!!! Conclus&#227;o: No cen&#225;rio econ&#244;mico atual, voc&#234; perde menos dinheiro ficando Sentado e bebendo cerveja o dia inteiro..... MAS &#201; IMPORTANTE LEMBRAR, QUEM BEBE VIVE MENOS: a) Menos triste; b) Menos deprimido; c) Menos tenso; d) Menos puto da vida! Pensem nisso... e... Se for dirigir, n&#227;o beba. Se for beber, me chama! Se n&#227;o me chamar, pelo menos me manda as latinhas!!! QUE EU VENDO TUDO!!! </description>
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			<title>DIA MUNDIAL CONTRA A PENA DE MORTE</title>
			<link>http://valores.blog.terra.com.br/dia_mundial_contra_a_pena_de_morte</link>
			<pubDate>10.10.08</pubDate>
			
			<description>Dia Mundial contra a Pena de Morte PAULO VANNUCHI Em pa&#237;ses como o Brasil, o C&#243;digo Penal n&#227;o prev&#234; esse tipo de san&#231;&#227;o, mas diariamente se repetem execu&#231;&#245;es extrajudiciais CELEBRAMOS em 2008 os 60 anos da Declara&#231;&#227;o Universal dos Direitos Humanos. Desde 1948, se expandiu o leque de direitos reconhecidos pela comunidade internacional, mas tamb&#233;m persistiram entraves antigos &#224; sua efetiva&#231;&#227;o. A data de hoje, 10 de outubro, &#233; o Dia Mundial contra a Pena de Morte, viola&#231;&#227;o do direito fundamental &#224; vida que ainda faz parte das leis criminais de muitas na&#231;&#245;es. Em pa&#237;ses como o Brasil, o C&#243;digo Penal n&#227;o prev&#234; esse tipo de san&#231;&#227;o, mas diariamente se repetem chacinas e outros tipos de execu&#231;&#245;es extrajudiciais cometidas por policiais ou por grupos de exterm&#237;nio, que receberam recentemente o nome de mil&#237;cias. Um relator das Na&#231;&#245;es Unidas que botou o dedo nessa ferida foi insultado por autoridades brasileiras que, dessa forma, confessam serem ainda garotinhos engatinhando na assimila&#231;&#227;o dos preceitos universais dos direitos humanos. &#201; preciso aproveitar a data tanto para uma reflex&#227;o sobre os debates em curso na ONU quanto para recha&#231;ar os surtos locais de histeria apontando a pena de morte, legal ou tolerada, como resposta ao colapso da seguran&#231;a p&#250;blica constatado em muitas metr&#243;poles brasileiras. A declara&#231;&#227;o universal de 1948 estabelece que todo ser humano tem direito &#224; vida, mas a ONU reconhece que a pena de morte ainda persiste sendo praticada em larga escala. &#201; por isso que o artigo 6&#186; do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Pol&#237;ticos, de 1966, busca restringir seu alcance por meio da recomenda&#231;&#227;o: nos pa&#237;ses em que a pena de morte n&#227;o tenha sido abolida, esta poder&#225; ser imposta apenas nos casos de crimes mais graves. A contradi&#231;&#227;o entre o direito &#224; vida e o reconhecimento da aplica&#231;&#227;o da pena capital seria, portanto, provis&#243;ria, j&#225; que a morte decretada pelo Estado estaria fadada &#224; extin&#231;&#227;o. Esse entendimento se repete no 2&#186; Protocolo Facultativo ao Pacto sobre Direitos Civis e Pol&#237;ticos com vistas &#224; Aboli&#231;&#227;o de Pena de Morte, de 1989, ao qual o Brasil aderiu, mas aguarda ratifica&#231;&#227;o pelo Congresso Nacional. Outra demonstra&#231;&#227;o de que o tema ainda &#233; tratado como tabu por muitos pa&#237;ses foi a recente negocia&#231;&#227;o da Resolu&#231;&#227;o sobre Metas Volunt&#225;rias em Direitos Humanos, capitaneada pelo Brasil no Conselho de Direitos Humanos da ONU. A aprova&#231;&#227;o do texto, importante vit&#243;ria de nosso pa&#237;s e do Mercosul, foi condicionada &#224; retirada da meta de estabelecimento de uma morat&#243;ria das execu&#231;&#245;es com vistas a abolir a pena de morte. No Brasil, acaba de ocorrer mais um epis&#243;dio chocante de viol&#234;ncia policial, em que tr&#234;s jovens de Guarulhos (SP), condenados por homic&#237;dio ap&#243;s terem confessado sob torturas, foram libertados pela Justi&#231;a quando nova investiga&#231;&#227;o apontou outra autoria. A pena de morte poderia ter custado a execu&#231;&#227;o de inocentes. E nenhum remorso de juiz ou ministro traria de volta as vidas ceifadas. Na trilha de Beccaria e do mestre Alceu Amoroso Lima, Bobbio defende que a pena de morte deve ser repelida por imperativos &#233;ticos e jur&#237;dicos. Partindo da concep&#231;&#227;o preventiva de pena, cuja fun&#231;&#227;o seria desencorajar um mal &#224; sociedade, o argumento utilitarista &#233; que n&#227;o h&#225; demonstra&#231;&#227;o de que a pena capital seja mais &#250;til do que outras puni&#231;&#245;es severas. A severidade intimida menos do que a certeza da puni&#231;&#227;o. Contra a concep&#231;&#227;o que defende a pena como retribui&#231;&#227;o equivalente ao mal cometido -o olho por olho, dente por dente, do Tali&#227;o-, Bobbio evoca o imperativo moral &#34;n&#227;o matar&#225;s&#34; para sustentar que a sociedade n&#227;o deve se igualar ao crime praticado, j&#225; que o Estado nunca pode ser colocado no mesmo plano que o indiv&#237;duo. O Estado det&#233;m o monop&#243;lio leg&#237;timo da for&#231;a, como conceituou Weber, e possui amplo aparelho de Justi&#231;a como mediador de sua defesa. Assim, n&#227;o podendo ser considerada leg&#237;tima defesa, a pena de morte seria antes um homic&#237;dio legalizado e premeditado pela comunidade cidad&#227;, mais deplor&#225;vel do que o homic&#237;dio praticado pelo indiv&#237;duo. N&#227;o menos importante, h&#225; o argumento da irreversibilidade da pena capital ante o risco sempre presente da falibilidade da Justi&#231;a, como no recente epis&#243;dio com os tr&#234;s jovens de Guarulhos, dando for&#231;a ao mestre Alceu quando defende que, se em alguma hip&#243;tese a pena de morte fosse justific&#225;vel, teria de ser decretada por um tribunal infal&#237;vel. Por &#250;ltimo, o Estado que decreta a morte, seja qual for a circunst&#226;ncia, jamais levar&#225; a sociedade a conceber a vida como bem supremo, que nenhum ser humano est&#225; autorizado a eliminar, nem sozinho, nem como ator de um tribunal. --------------------------- PAULO VANNUCHI , 58, &#233; ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presid&#234;ncia da Rep&#250;blica. Folha de S&#227;o Paulo, sexta-feira, 10 de outubro de 2008 http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1010200808.htm </description>
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			<title>ABALO DOS MUROS</title>
			<link>http://valores.blog.terra.com.br/abalo_dos_muros</link>
			<pubDate>08.10.08</pubDate>
			
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07.10.08 -&#160;ABALO DOS MUROS&#160;Frei Betto * Adital - Em 2009 faz 20 anos da queda do Muro de Berlim, s&#237;mbolo da bipolaridade do mundo dividido em dois sistemas: capitalista e socialista. Agora assistimos ao decl&#237;nio de Wall Street (Rua do Muro), na qual se concentram as sedes dos maiores bancos e institui&#231;&#245;es financeiras. O muro que d&#225; nome &#224; rua de Nova York foi erguido pelos holandeses em 1652 e derrubado pelos ingleses em 1699. New Amsterdam deu lugar a New York. O apocalipse ideol&#243;gico no Leste europeu, jamais previsto por qualquer analista, fortaleceu a id&#233;ia de que fora do capitalismo n&#227;o h&#225; salva&#231;&#227;o. Agora, a crise do sistema financeiro derruba o dogma da imaculada concep&#231;&#227;o do livre mercado como &#250;nica panac&#233;ia para o bom andamento da economia. Ainda n&#227;o &#233; o fim do capitalismo, mas talvez seja a agonia do car&#225;ter neoliberal que hipertrofiou o sistema financeiro. Acumular fortunas tornou-se mais importante que produzir bens e servi&#231;os. A bolha especulativa inflou e, s&#250;bito, estourou. Repete-se, contudo, a velha receita: ap&#243;s privatizar os ganhos, o sistema socializa os preju&#237;zos. Desmorona a cantilena do &#34;menos Estado e mais iniciativa privada&#34;. Na hora da crise, apela-se ao Estado como b&#243;ia de salvamento na forma de US$ 700 bilh&#245;es (5% do PIB dos EUA ou o custo de todo o petr&#243;leo consumido em um ano naquele pa&#237;s) a serem injetados para anabolizar o sistema financeiro. O programa Bolsa Fartura de Bush re&#250;ne quantia suficiente para erradicar a fome no mundo. Mas quem se preocupa com os pobres? Devido ao aumento dos pre&#231;os dos alimentos, nos &#250;ltimos dozes meses o n&#250;mero de famintos cr&#244;nicos subiu de 854 milh&#245;es para 950 milh&#245;es, segundo Jacques Diouf, diretor-geral da FAO. Quem pagar&#225; a fatura do Proer usamericano? A resposta &#233; &#243;bvia: o contribuinte. Prev&#234;-se o desemprego imediato de 11 milh&#245;es de pessoas vinculadas ao mercado de capitais e &#224; constru&#231;&#227;o civil. Os fundos de pens&#227;o, descapitalizados, n&#227;o ter&#227;o como honrar os direitos de milh&#245;es de aposentados, sobretudo de quem investiu em previd&#234;ncia privada. A restri&#231;&#227;o do cr&#233;dito tende a inibir a produ&#231;&#227;o e o consumo. Os bancos de investimentos p&#245;em as barbas de molho. Os impostos sofrer&#227;o aumentos. O mercado ficar&#225; sob regime de liberdade vigiada: vale agora o modelo chin&#234;s de controle pol&#237;tico da economia, e n&#227;o mais o controle da pol&#237;tica pela economia, como ocorre no neoliberalismo. Em 1967, J.K. Galbraith chamava a aten&#231;&#227;o para a crise do car&#225;ter industrial do capitalismo. Nomes como Ford, Rockefeller, Carnegie ou Guggenheim, exemplos de empreendedores, desapareciam do cen&#225;rio econ&#244;mico para dar lugar &#224; ampla rede de acionistas an&#244;nimos. O valor da empresa deslocava-se do parque industrial para a Bolsa de Valores. Na d&#233;cada seguinte, Daniel Bell alertaria para a &#237;ntima associa&#231;&#227;o entre informa&#231;&#227;o e especula&#231;&#227;o, e apontaria as contradi&#231;&#245;es culturais do capitalismo: o ascetismo (= acumula&#231;&#227;o) em choque com o est&#237;mulo consumista; os valores da modernidade destronados pelo car&#225;ter iconoclasta das inova&#231;&#245;es cient&#237;ficas e tecnol&#243;gicas; lei e &#233;tica em antagonismo quanto mais o mercado se arvora em &#225;rbitro das rela&#231;&#245;es econ&#244;micas e sociais. Se a queda do Muro de Berlim trouxe ao Leste europeu mais liberdade e menos justi&#231;a, introduzindo desigualdades gritantes, o abalo de Wall Street obriga o capitalismo a se repensar. O cassino global torna o mundo mais feliz? &#211;bvio que n&#227;o. O fracasso do socialismo real significa vit&#243;ria do capitalismo virtual (real para apenas 1/3 da humanidade)? Tamb&#233;m n&#227;o. N&#227;o se mede o fracasso do capitalismo por suas crises financeiras, e sim pela exclus&#227;o - de acesso a bens essenciais de consumo e direitos de cidadania, como alimenta&#231;&#227;o, sa&#250;de e educa&#231;&#227;o -, de 2/3 da humanidade. S&#227;o 4 bilh&#245;es de pessoas que, segundo a ONU, vivem entre a mis&#233;ria e a pobreza, com renda di&#225;ria inferior a US$ 3. H&#225;, sim, que buscar, com urg&#234;ncia, um outro mundo poss&#237;vel, economicamente justo, politicamente democr&#225;tico e ecologicamente sustent&#225;vel. [Autor de &#34;Calend&#225;rio do Poder&#34; (Rocco), entre outros livros]. * Escritor e assessor de movimentos sociais</description>
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