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Quociente
Confunde-se política com politicagem! E nesta mistura de conceitos o cidadão sai perdendo. Imagina, ingenuamente, que pode se manter distante da política. Engano, pois mesmo criticando os que praticam a politiquice, o cidadão age politicamente, apenas atua de uma forma negativa. Política tudo mundo faz, consciente ou inconscientemente. A ambigüidade está na mistura dos conceitos. É o motivo pelo qual, em princípio, muitos jovens relutam participar do processo eleitoral. No entanto, quando se expõe a eles, e aos demais cidadãos, o legitimo sentido da política, percebe-se uma positiva reação. Todo cidadão consciente quer o bem da coletividade e, a sua maneira, procura colaborar na sua consecução. Faz política, portanto, mesmo que seja de uma maneira inconsciente. Há épocas quando esta participação se faz mais evidente, como é o período eleitoral. Pelo voto o cidadão se torna diretamente responsável por um futuro mais decente para o seu município. Em contrapartida, quando desdenha o processo eleitoral, ou pior, quando se omite, age como um mau político, iguala-se aos que ele mesmo tão veemente critica, além, claro, de não contribuir com nada para melhorar a situação. Por mais indigesta, a verdade é que os políticos dependem da visão que os cidadãos fazem da política. Não existem mais políticos biônicos, são todos sufragados. Se persistem prestigiados homens públicos desonestos e corruptos, é porque cidadãos que têm da política uma visão interesseira decidem participar, ao passo que cidadãos que se imaginam corretos se abstêm de atuar. Ambas as categorias de cidadão agem mal politicamente. Incômoda verdade, mas real e tem fundamento!
Outra intrigante situação é o malogro em renovar as Câmaras municipais. Profundo é o anseio do povo em ver as Câmaras renovadas, livres daqueles políticos oportunistas, alguns inclusive com antecedentes obscuros. A maioria dos cidadãos é gente de bem, que quer o legitimo progresso da cidade e de forma nenhuma admite ser representada por gente ímproba. Emerge espontânea uma indagação ao mesmo tempo inquietante e instigante: como se explica a vitória dos mesmos elementos, alguns, inclusive, recebendo um número reduzido de votos? Por que nunca acontece a tão desejada renovação, mesmo com honestos e bem-intencionados postulantes se apresentando?
Os diplomados não são sempre os mais votados. Nem os mais idôneos. Nem os mais desejados. Isto acontece nos sufrágios proporcionais, ou seja, nas eleições para vereadores. As regras precisam ser melhor explicadas aos eleitores. É o que devem fazer os partidos responsáveis pelo horário eleitoral gratuito. Ao invés de declamar promessas, algumas sem nexo nem contexto, os candidatos, e os partidos, devem aplicar-se na tarefa de expor a dinâmica da eleição com clareza. No sufrágio proporcional, o principal não é o candidato, mas o partido e a coligação. Neste sistema o primeiro destinatário do voto não é o candidato, mas a legenda. Se o partido, ou a coligação, conseguir o número de votos suficientes estabelecido pela legislação eleitoral, fica eleita a pessoa que naquele partido ou coligação conseguir o maior número de votos. As sobras vão para os demais candidatos da legenda. É o chamado quociente eleitoral estabelecido pela justiça eleitoral. O eleitor precisa ficar atento e esperto para que o seu voto não migre e acabe favorecendo um político mais espertalhão. Que se me perdoe a franqueza, mas tem candidato que concorre iludido. É convidado a concorrer somente para somar voto, para engrossar o voto da legenda. Os caciques se perpetuam no poder à custa de índios ingênuos! Coincidentemente, são eles os que mais trocam de partido! E tem eleitor que, por desconhecer a regra, acaba colaborando com o esquema. É o que acontece quando se vota em parente ou em pessoa do seu convívio, simplesmente para agrada-la ou para mostrar-se solidário. Muitos eleitores ‘perdem’ o voto porque não são suficientemente esclarecidos a respeito do processo eleitoral. Nem se interessam em saber quem compõe a legenda ou a coligação. O risco de desperdiçar votos por falta de um conhecimento adequado é enorme. E a frustração que esta decepção causa alimenta mais o desgosto pela política.
Fazer política correta é uma arte. E uma virtude. Votar exige sagacidade. E empenho! É o futuro que está em jogo! Faça a população prevalecer o seu anelo por uma política saudável e coletivamente próspera!
Pe. Charles Borg

criado por HENRY URQUHART
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