| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | |||||
| 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 |
| 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16 |
| 17 | 18 | 19 | 20 | 21 | 22 | 23 |
| 24 | 25 | 26 | 27 | 28 | 29 | 30 |
| 31 |

A escola dos meus sonhos não existe
Almir Almeida de Oliveira
Frei Betto, militante político de esquerda desde a ditadura militar e grande pensador do Brasil, filósofo dos tempos atuais, divulgou um texto no jornal O Estado de S. Paulo, intitulado “A escola dos meus sonhos”, no qual faz sérias críticas à educação escolar tradicional, mas colocava-se cheio de esperanças e profetizando uma educação totalmente voltada para a vida e sem preconceitos.
O texto deixou-me encantado, devido à tamanha sabedoria, humildade e bem dosado, com um pouco de ingenuidade. Fez-me refletir, alimentar esperanças e decepcionar-me, pois ‘a escola dos meus sonhos’ está distante, talvez impossível de acontecer. Gostaria de possuir essa fé dos religiosos para as mudanças, porém a nossa história não é de fé, é de continuísmo.
A escola dos meus sonhos, com suas aulas de eletricidade, hidráulica, mecânica e de marcenaria está de longe se tornar real e substituir os aulões de Matemática que buscam levar os alunos a um conhecimento mínimo para que passem no vestibular. E substituir as avaliações de História cheias de datas e episódios, com suas autenticidades suspeitas, porém decoráveis e indispensáveis para a nota, por uma aula voltada para o conhecimento e a criticidade da realidade.
A escola dos meus sonhos, na qual todos os temas são tratados com abertura e profundidade, sem preconceitos e preferências, ainda está distante, uma vez que religião só a católica; de morte ninguém quer falar; a sexualidade é profana, transcende a aula e só é tratada quando o professor quer enrolar aula. E quem falar em política quer perder o emprego...
A escola dos meus sonhos, enraizada em ideologias e com professores periodicamente capacitados, só vai existir quando as massas burguesas perderem o poder de manipulação e o povo – principalmente alunos e professores – notarem a importância e o poder que têm na sociedade. E só teremos profissionais bem capacitados no momento em que eles virem a riqueza que uma boa preparação pode trazer-lhes e buscarem-na; e não ficarem à espera de, a cada seis meses, a Secretária de Educação mandar uma equipe de capacitadores graduados (apenas graduados) para ministrar esses estudos.
A escola dos meus sonhos, com professores exclusivos para cada autarquia de ensino, ganhando satisfatoriamente bem e voltados mais para a educação que para a instrução, é impossível, pois os sistemas burocráticos, com seus excessos de registros e ações e metas preestabelecidas, esgotam o tempo de o professor se preparar de verdade e realizar um trabalho voltado para a mudança e a conscientização da sociedade; essa escola só vai existir quando as avaliações deixarem de ser apenas obrigações burocráticas e passarem a ser diagnósticas, não tachando o aluno de bom ou mau; identificando as suas dificuldades para resolver em diálogo com ele, lutando para solucioná-la; aliás, esse é o oficio do professor...
E o salário? Ah, na escola que eu vejo quando estou acordado, o professor só vai receber bem quando não houver mais escolas.
Fonte: http://www.educacaopublica.rj.gov.br

criado por HENRY URQUHART
16:11:51